Responder o chefe fora do horário de trabalho é hora extra?

O departamento de recursos humanos é fundamental para o cotidiano das empresas: além de lidarem com questões mais burocráticas, os funcionários dessa área também dialogam diretamente com os demais colaboradores, otimizam as linhas de comunicação e atuam para que todos se sintam motivados, representados e em total consonância com as regras da instituição.

É dever do RH, além disso, esclarecer dúvidas sobre o comportamento esperado dos funcionários e sobre as suas obrigações. Especialmente em épocas digitais e com o home office, que virou tendência desde o início da pandemia, muitos funcionários têm se perguntado sobre o que configura hora extra.

Neste artigo, falaremos um pouco mais sobre o assunto.

Utilização de aplicativos no cotidiano: vale?

Sim, os aplicativos que geralmente são de uso pessoal, como o WhatsApp, também podem ser usados durante as horas de trabalho, uma vez que facilitam a interação e a comunicação entre pessoas de diversos setores e aproximam os colaboradores mesmo quando eles estão trabalhando à distância.

Não há nenhuma norma trabalhista que veja o uso desses aplicativos como algo negativo.

chefe trabalho

Convém lembrar, porém, que apps de mensagem instantânea, assim como outras redes sociais, podem diminuir a produtividade – afinal, as pessoas estão suscetíveis a receber mensagens de outras pessoas durante o expediente, o que pode distraí-las. A melhor opção é sempre se comunicar por meio de e-mails e similares.

Se isso não for possível, por conta da natureza do trabalho ou de uma preferência geral, o WhatsApp pode ser utilizado sem preocupações. Apesar disso, deve ser um consenso que a presença em ambiente virtual não significa estar à disposição da empresa durante todo o dia.

Se alguém se recorda de algum assunto específico após o horário de trabalho, precisa enviar uma anotação ou recado ou quer deixar um lembrete para o dia seguinte, ele pode fazer isso após o horário do expediente sem problemas.

Se é exigido do trabalhador uma resposta imediata àquela demanda ou qualquer tipo de atividade laboral após a finalização do expediente, no entanto, estamos diante de uma situação que pode desembocar, sim, no pagamento de hora extra.

Os limites da vida online

Existem ainda outras coisas que, quando feitas por mensagens instantâneas, podem gerar desconforto, constrangimento e, às vezes, até ações trabalhistas.

Chamar a atenção de um funcionário de forma agressiva e vexatória em um grupo de WhatsApp com muitas pessoas, sejam elas do mesmo setor ou não, pode fazer com que a empresa seja processada – e um print da situação ou download do áudio enviado pelo chefe podem ser o bastante para levá-la em juízo.

Da mesma forma, demitir colaboradores de forma aberta, em um grupo de WhatsApp, pode ser lido como exposição desnecessária e gerar processo por danos morais, uma vez que o colaborador pode entender que foi constrangido e humilhado perante seus colegas.

Em tempos virtuais, mesmo os processos mais difíceis, como o de demitir uma pessoa, devem ser feitos de forma privada, sempre com o máximo de cuidado e respeito.

Não é obrigatório chamar o funcionário presencialmente ao escritório para demiti-lo, especialmente porque isso pode colocar a sua vida em risco, mas mesmo em ligações de vídeo é importante falar com delicadeza e expressar a necessidade de desligamento de maneira não vexatória.

Uma coisa importante: não é de bom tom demitir o funcionário pelo WhatsApp, embora haja relatos de empresas que têm feito isso. O RH deve organizar soluções para essa questão sem expor os funcionários a esse tipo de conduta.

Comunicação não-violenta deve estar em alta

Por fim, é importante voltar os olhos para a questão da comunicação não-violenta. Quando lemos as mensagens de outras pessoas, podemos interpretá-las de diversas formas: as palavras escritas, muitas vezes, são enganadoras.

Especialmente em períodos como o que vivemos, quando as pessoas estão com medo e ansiosas, é fácil compreender errado aquilo que o outro diz e gerar desconforto.

Para evitar que isso aconteça, o ideal é que o RH envie cartilhas sobre comunicação não-violenta aos funcionários, divulgue a necessidade de se expressar de maneira direta, mas gentil, e que se esforce para criar um espaço onde os feedbacks e críticas sejam compartilhados com respeito à saúde mental e à autoestima do outro.

Em momentos de pandemia, a empresa também deve se preocupar com o psicológico de seus funcionários. Para tal, pode disponibilizar funcionários ou fazer parcerias com espaços de atendimento à distância, além de oferecer descontos para clínicas e demais locais de saúde.

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